E
se os Adultos não existissem?
Feito
por: Flávia Di Girolamo Cortegosso
Quando cheguei a casa, não achei minha mãe nem meu pai, só vi meu irmão
e perguntei:
−Cadê a mãe e o pai?
−Não sei não os vi o dia inteiro – respondeu Vítor.
Peguei o telefone e liguei várias vezes no celular as minha mãe e do meu
pai, e só caia na caixa postal. Então liguei para a minha amiga e falei:
−Vitória, seus pais estão aí?
−Não, estou preocupada, já era para eles terem chegado – respondeu
Vitória.
Então me troquei e falei para o meu irmão:
−Vítor, se troca e vem comigo.
Ele respondeu:
−Pra quê?
−As coisas estão estranhas, não consigo falar com a mãe nem com o pai,
liguei para a Vitória e ela disse que os pais dela também sumiram – respondi.
−Tá bom, vamos logo – respondeu Vítor.
No caminho estava tudo estranho, ônibus parado no meio da rua com as
portas abertas, carros batidos e só aviam crianças na rua, correndo e chorando,
todas indo para a delegacia.
No caminho achei minha amiga Vitória e perguntei:
−Está indo para a delegacia?
−Sim, meus pais sumiram – respondeu Vitória.
Então disse:
−Os meus também, quer ir comigo e com meu irmão até lá?
−Claro – respondeu Vitória
Quando chegamos à delegacia, ela estava deserta, foi aí que me toquei,
subi no balcão e gritei:
−Ei! Todos os adultos sumiram!
Todos se olharam e sorriram. Meu irmão subiu no balcão e falou:
−Agora estamos livres!
Então Vitória gritou:
−Finalmente! Agora podemos fazer o que quisermos sem exceção.
Foi festa por algumas semanas até as coisas começarem a desandar.
Todos perceberam que as comidas estavam acabando, as pessoas estavam
ficando sem dinheiro e todas começaram a agir estranho.
Quando as coisas quebravam não tinha quem consertasse, se alguma coisa
pegasse fogo, não íamos conseguir apagar, não iam ter professores e a água e as
luzes iriam acabar. Sem os adultos dizendo o que a gente pode ou não fazer, a
vida fica sem sentido, então eu juntei todo mundo e falei:
−Gente, nós temos que começar a agir. Sem os adultos nós não conseguimos
fazer nada, as escolas estão sem ninguém, os incêndios não são apagados e nós
começamos a ficar sem comida. Nós vamos ter que nos dividir e arranjar trabalho
para todos. Assim nós vamos conseguir viver em paz, pelo menos por um tempo.
Todos concordaram, eu e meu irmão estávamos fazendo listas com o nome e
o emprego. Depois de dois meses trabalhando, nós vimos o quanto é cansativo e o
quanto os nossos pais tinham que dar duro para comprar nossa comida e tudo o
que nós pedíamos e necessitávamos.
De repente, da noite pro dia os pais voltaram e todos os adultos que
tinham sumido. Então todos ficaram super felizes e passaram a dar mais valor
pelo o que os faziam. Ninguém reclamava quando os pais não deixavam fazer
alguma coisa. E cada um falou para os seus pais:
−Desculpa por tudo o que eu fiz, agora eu sei o quanto vocês dão duro
para trabalhar e fazer tudo o que eu quero. Desculpa, vocês me desculpam?
−Mas por que do nada você fala isso? Aconteceu alguma coisa? –
perguntaram os pais
−Não aconteceu nada não, só percebi o quanto você dá duro para trabalhar
e fazer tudo o que eu quero. Eu amo vocês, e se eu brigar com vocês me
desculpem, por favor, por que eu fico chateada quando que quero muito uma coisa
e vocês não deixam, mas agora não vou reclamar mais. Muito obrigada por tudo,
viu?
Fim
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